30 anos
1980-2010

Em 2010, nos 30 anos sobre o boom, foram publicadas 18 entrevistas, 3 destaques e 9 colaborações de escribas da música nacional. Fica aqui esse registo/memória.

COLABORAÇÕES . 30 anos
DESTAQUES . 30 anos

Grupo de Baile – Entrevista a Carlos Tavares em Maio de 2010

O Grupo de Baile teve um dos maiores sucessos do boom: Patchouly. Ainda hoje é um tema que ecoa no imaginário musical português. Carlos Tavares, líder da banda, lembra a célebre operação de marketing que ocultou uma palavra de calão com um sonoro "beep". E rádios houve que não passaram a versão censurada.

António Luís Cardoso 

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Lidar com a fama foi fácil porque sempre tivemos a perfeita noção de que seria passageira

1. Volvidos tantos anos sobre o ‘boom do rock português’, que memórias restam?
 
São muitas as memórias desse tempo, essencialmente boas, acima de tudo ficaram as grandes amizades de um período de ouro para a música em português


2. O ‘boom’ precisa de pai? E será o Rui Veloso ou António Manuel Ribeiro?

Acho que o boom não precisou de ter pai, pois nasceu de geração expontânea, mas se tiver de ser aperfilhado então só o pode ser pelo Rui Veloso.


3. Um disco e uma banda/músico do ‘boom’?

Jafumega - Latina/América.


4. Como foi lidar com a fama de Patchouly?

Lidar com a fama foi fácil porque sempre tivemos a perfeita noção de que seria passageira, efémera. Nunca tirámos os pés do chão. Com a mesma humilde qb com que vamos hoje a um programa de memórias, íamos ao tempo aos programas de top.


5. O famoso “beep” foi ideia de quem?

O beep foi ideia da editora, resguardaram-se atrás do politicamente correcto, e fomos no engôdo. afinal, hoje percebe-se que foi um golpe de marketing. Dos discos com beep, pouco ou nada se vendeu. As 99 mil cópias saíram essencialmente da versão sem censura.


6. O Carlos disse, em tempos: “o 'boom' foi também muito incentivado pelas editoras, porque isso lhes dava uma maior escolha sobre aquilo que decidiam gravar ou não. Quantas mais houvesse, mais havia por onde escolher".  O Grupo de Baile foi uma das vítimas desse papel das editoras?

Pois, também mas não só. O maior problema foi na hora de decidir o profissionalismo a tempo inteiro para todos. e metade do grupo já o fazia nas bandas militares. Arriscar não foi o que se decidiu e por consenso o grupo acabou.


7. “Estória linda” teria outro espaço, não fosse o esvaziar do ‘boom’ e o afastamento dos media e público do fenómeno? 

Estória Linda e tantos outros temas que tinhamos em carteira perderam a sua oportunidade de brilhar quando o patchouly foi sugado até ao tutano para render mais e mais. Quando apareceram as outras estórias que o Grupo de Baile tinha para contar já o público estava noutra.


8. Projectos, hoje?

Projectos hoje na música só encontros furtuitos com alguns elementos da banda para nos divertirmos.


9. Que música moderna portuguesa ouve, actualmente?

Deolinda e sempre mas sempre XUTOS!

Grupo de Baile – "Patchouly"

Grupo de Baile – "Estória linda"

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