BANDAS/MÚSICOS

Directório de bandas e músicos que gravaram entre 1974 e 1985 na esfera da música moderna portuguesa.

BANDAS/MÚSICOS 1974-1985

Trabalhadores do Comércio

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LINKS ÚTEIS

DISCOGRAFIA

ÁLBUNS

Originais


Tripas à Moda do Porto
, Polydor/Polygram, 1981

Nabraza, Polydor/Polygram, 1982
Mais Um Membro P'ra Europa, editora Tigres de Bengala (edição em Espanha: Edigal), 1986
Sermões a Todo o Rebanho, Polydor/Polygram, 1990
Das Turmêntas Hà Boua Isperansa, Tigres de Bengala, 2011


Colectâneas


O Milhor dos Trabalhadores do Comércio (duplo), Polydor 1995 (no ano seguinte é reeditado com 2 temas extra)
Iblussom (duplo), Farol/Tigres de Bengala, 2007
Trabalhadores do Comércio, integrado na colecção BD Pop Rock Português, EMI Music Portugal, 2011

Em 2001, a editora Polygram junta, na colecção "O melhor de 2", os Trabalhadores do Comércio e os DaVinci

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SINGLES/EPs

Lima 5 / Que Me Dizes Au Cuncurso
, Rádio Produções Europa, 1980

A Cançõm Quiu Abô Minsinoue / A Chabala do Meu Curaçom, Gira, 1980
Chamem a Policia, Polygram, 1981
Os Tigres de Bengala S. F. R./ No Baile de São Bento (da Bitória), Vaga / Transmédia, 1986
Chamem A Pulissia (Bonus Traque) / Chamem a Polícia, Polydor/Polygram, 1995
Chamem A Pulissia / Nel Ligeiro, Polygram, 1996
Taquetinho Ou Lebas Nu Fucinhu / Está Quetinho Ou Levas No Fuciño... En Galego, Polydor/Polygram, 1996
Febras de Sábadà Noite / Cordabida "A Vida São 2 Dias", Tigres de Bengala, 2006
Ardenmus Olhus / De Manhá eu Bou ó Pom, Farol, 2006
Bares Citadinus / Bares Citadinus (Bersom Capada), Farol, 2007
No colo do Douro / O Voto Ütil, Tigres de Bengala, 2009
Gladiador / Àbestruzurbana / O Voto útil / No Colo Do Douro, Tigres de Bengala, 2010

Em 1981 a editora Gira edita (em mono) uma versão não autorizada de: Chamem a Policia / Sou Um Gajo do Porto
Sotaque, humor & rock'n'roll


© António Luís Cardoso [2023]

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Os Trabalhadores do Comércio são o que poderá ser considerado uma pedrada no charco na música portuguesa de então.
 
Quando, no segundo semestre de 1980, “Chico fininho” (Rui Veloso) e “Cavalos de Corrida” (UHF) se tornaram sucesso garantido para uma vida nova do rock português, os Trabalhadores já haviam gravado em junho os seus dois primeiros singles, "Lima 5" e "A Cançõm Quiu Abô Minsinoue", não tendo sido, desta forma, um dos muitos projectos que o boom faria despontar[1].
 

 
O single  "Lima 5", lançado pela independente Rádio Produções Europa, viria a ganhar o prémio de popularidade da revista TV Guia.
Aristides Duarte, in Nova Guarda
 

 
A ideia para uma banda que, aliada a uma competência musical de excelência, nos traz um corrosivo humor com sotaque nortenho, surge de Sérgio Castro e Álvaro Azevedo, à data já duas referências do rock nacional. Ambos passaram por projectos relevantes na década de 1970 como Psico (Sérgio) ou Pop Five Incorporated (Álvaro), mas, em 1980, quando criam a banda que popularizará o tema “Chamem a Polícia”, no ano seguinte, ainda mantinham os Arte & Ofício que, a par dos Tantra, foram o maior ícone do rock nacional dos anos imediatos que precederam o boom. Aliás, farão ainda a primeira parte de vários concertos dos Arte & Ofício. Mesmo sem o vocalista inicial (António Garcez abandona o grupo em Julho de 1979), os Arte & Ofício ainda continuam o percurso paralelo[2] com os Trabalhadores do Comércio, algo que começa a esmorecer com o estrondoso sucesso do citado tema "Chamem a Polícia" e a maior apetência pelo público de então por rock cantado em português. 
 
Uma outra característica peculiar, acrescida ao humor (e também parte dele), era o facto de uma das vozes ser garantida por João Médicis, sobrinho de Castro, à época com 7 anos, o que também condicionará o calendário do projecto com a óbvia necessidade de uma criança ter de frequentar o Ensino. Mas “condicionou” igualmente no bom sentido, com várias letras pensadas para este curioso vocalista; lembremo-nos por exemplo do tema “De manhã eu bou ò pom” (do primeiro álbum):

De manhá eu bou ò pom
A saquinha bai na mom
Bou à loija do Juom
Cu meu are mais mulengom
De manhá eu bou ò pom
A saquinha bai na mom

Ainda assim, conseguem manter uma carreira minimamente regular e João Médicis vai acompanhando o grupo em diversas fases da carreira, surgindo sempre nas edições discográficas (por exemplo, quando gravam “Sermões a todo o rebanho”, 1990, tinha 17 anos), mantendo-se na formação actual.
 

 
O grupo toca muito num Bar do Porto chamado Chico's e tenta a edição de um EP "Alaibe At Chico's Bar" que nunca verá a luz do dia.
Aristides Duarte, in Nova Guarda
 

 
Durante a época do boom e seu rescaldo, os Trabalhadores editam dois álbuns, “Tripas à moda do Porto” (1981; o título tem na capa uma cruz em cima da letra a da palavra “tripas”, de modo a ler-se também: “tripes”) e “Nabraza” (1982). O primeiro é gravado em Londres e dele se extrai o já referido sucesso “Chamem a Polícia” ou, à moda deles, “Chamem a Pulíssia”. Há uma história curiosa sobre este single que tem um irmão gémeo… pirata. A editora original da banda, a Gira-RPE, edita sem autorização o mesmo tema em mono e com capa alternativa.
 


Realmente quem não achou piada foi, então, a Polygram. A nós pareceu-nos genial que tivesse ocorrido. Quantos músicos em Portugal se podem gabar de ir a tribunal, defendidos por um brilhante advogado e actor como o Morais e Castro (...), para defender os direitos de royalty?
Sérgio Castro, ao Museu do Boom, em 2010



Em 1982, apesar de alguma rodagem nas rádios de “Taquetinho ou lebas no fucinho” – tema incluído no segundo álbum, mas que não terá edição em single –  a banda decide parar[3], nomeadamente pela citada questão escolar de Médicis. Contribui também para as poucas vendas do álbum um diferendo com a editora, Polygram, envolvendo a capa não autorizada pela banda que, desta forma, exige a retirada dos discos das lojas, findando também a relação com esta editora.
 
No entanto, a irreverência do grupo levá-los-á a concorrer em 1986 ao Festival da Canção[4], evento que à época era dominado pela música ligeira, com “Os tigres de Bengala”. Este tema dará mesmo lugar à designação da etiqueta que edita nesse mesmo ano o álbum seguinte da banda: “Mais um membro para a Europa”[5]. Quanto à participação no festival, apesar de ser uma das três canções escolhidas pelo júri, acabará por ser Dora, com "Não sejas mau para mim" a vencer. [6]
 
Este disco e, sobretudo, todo o percurso dos sempre persistentes Trabalhadores do Comércio, ainda no activo, tem sido pautado pela vontade do seu motor, Sérgio Castro (entretanto radicado em Vigo desde a segunda metade de 80) agora com carreira a solo paralela sob o nome: Ser Castro. Porque, como nos dizia em 2010, “o caminho faz-se caminhando como dizia o poeta” referindo a esse propósito que: “quando nos querem impingir a etiqueta de banda dos 80, (…) nós ostensivamente rejeitamos. Não só porque alguns de nós já arrastamos um passado bem anterior mas, principalmente, porque somos acima de tudo uma banda do século XXI”.


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[1] Rui Veloso gravará, em simultâneo com os Trabalhadores do Comércio, no mesmo estúdio (Angel 1) o seu "Ar de rock"; como nos diz Sérgio Castro: "o Rui, que já há anos conhecíamos, pois abria concertos dos Arte & Ofício com a sua banda de blues e era meu amigo".

[2] Os Arte & Ofício, já sem Garcez nas fileiras, editam o single "Marijuana" e o álbum "Danza" (ambos em 1980), continuam com digressões (incluindo uma primeira parte dos Stranglers ou a digressão por três cidades europeias com Joe Jackson) e, inclusive, são destaque numa série da RTP da autoria de José Nuno Martins, "Soltem o rock, mas guardem-no bem" (1979), com um concerto que chegará a 14 países (info cedida por Sérgio Castro e extarída do canal da banda no Youtube), acabando por dar o último concerto em 1983. 

[3] António Garcez e Sérgio Castro voltam a juntar-se no projecto designado por Stick, em 1984, com duas edições discográficas nesse e no ano seguinte; ver AQUI

[4] Os Delfins haviam concorrido no ano anterior, com a "A Casa da Praia", mas eram uma banda ainda relativamente desconhecida.

[5] Este disco tem uma das capas mais criativas e irreverentes do rock nacional com uma cerâmica na capa com um falo que, numa edição espanhola, é apagada. De lembrar que Portugal tinha entrado para a Comunidade Europeia, então designada por CEE, desde 1 de Janeiro de 1986.

[6]Este festival esteve envolto em polémica, sobretudo pelo modo de seleção que não abriu espaço ao voto do público mas sim a um júri constituído por trabalhadores da RTP; conforme nos diz Sérgio Castro, os Trabalhadores do Comércio apenas perderão para a canção vencedora com um voto de desempate do presidente do júri, Melo Pereira que... curiosamente não teria direito a voto. Ver, a este propósito uma publicação da banda no Youtube

LINKS ÚTEIS

DISCOGRAFIA

ÁLBUNS

Originais


Tripas à Moda do Porto
, Polydor/Polygram, 1981

Nabraza, Polydor/Polygram, 1982
Mais Um Membro P'ra Europa, editora Tigres de Bengala (edição em Espanha: Edigal), 1986
Sermões a Todo o Rebanho, Polydor/Polygram, 1990
Das Turmêntas Hà Boua Isperansa, Tigres de Bengala, 2011


Colectâneas


O Milhor dos Trabalhadores do Comércio (duplo), Polydor 1995 (no ano seguinte é reeditado com 2 temas extra)
Iblussom (duplo), Farol/TDB, 2007
Trabalhadores do Comércio, integrado na colecção BD Pop Rock Português, EMI Music Portugal, 2011

Em 2001, a editora Polygram junta, na colecção "O melhor de 2", os Trabalhadores do Comércio e os DaVinci

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SINGLES/EPs

Lima 5 / Que Me Dizes Au Cuncurso
, Rádio Produções Europa, 1980

A Cançõm Quiu Abô Minsinoue / A Chabala do Meu Curaçom, Gira, 1980
Chamem a Policia, Polygram, 1981
Os Tigres de Bengala S. F. R./ No Baile de São Bento (da Bitória), Vaga / Transmédia, 1986
Chamem A Pulissia (Bonus Traque) / Chamem a Polícia, Polydor/Polygram, 1995
Chamem A Pulissia / Nel Ligeiro, Polygram, 1996
Taquetinho Ou Lebas Nu Fucinhu / Está Quetinho Ou Levas No Fuciño... En Galego, Polydor/Polygram, 1996
Febras de Sábadà Noite / Cordabida "A Vida São 2 Dias", Tigres de Bengala, 2006
Ardenmus Olhus / De Manhá eu Bou ó Pom, Farol, 2006
Bares Citadinus / Bares Citadinus (Bersom Capada), Farol, 2007
No colo do Douro / O Voto Ütil, Tigres de Bengala, 2009
Gladiador / Àbestruzurbana / O Voto útil / No Colo Do Douro, Tigres de Bengala, 2010

Em 1981 a editora Gira edita (em mono) uma versão não autorizada de: Chamem a Policia / Sou Um Gajo do Porto
Chamem a polícia
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