BANDAS/MÚSICOS

Directório de bandas e músicos que gravaram entre 1974 e 1985 na esfera da música moderna portuguesa.

BANDAS/MÚSICOS 1974-1985

Street Kids

s_streetkids.jpg

Street Kids:

Eduardo Sobral:
viola eléctrica tratada

Nuno Canavarro:
pianos, órgão, strings, sintetizadores, voz

Nuno Rebelo:
viola baixo, coros, vocoder, 2.ª viola

Flash Gordon:
bateria, percussões acústicas e não acústicas

Luís Ventura:
voz principal, coros, viola eléctrica, strings

(alinhamento retirado de "Trauma")

_____

O talento dos rapazes de rua

______

© António Luís Cardoso [21.Março.2010]


Os Street Kids foram uma daquelas bandas que, não passando propriamente despercebidas, não foram um sucesso à escala dos maiores do boom. Os seus singles não tiveram o mediatismo de um "Patchouly" ou de um "Chiclete". Mas, por outro lado, terão sido das bandas que deixaram uma marca mais efectiva, criativa; podemos mesmo afirmar: de qualidade.

Os Street Kids tomam forma e nome quando se tornam quinteto em 1980, altura em que Nuno Canavarro e Flash Gordon (Emanuel Ramalho) se juntam a Nuno Rebelo, Luís Ventura e Eduardo Pimentel, elementos estes que, oriundos de Cascais, haviam formado a banda Plástico um ano antes. Sobre a escolha do nome, há uma história curiosa que atesta bem a atracção que os jovens músicos portugueses tinham e ainda têm pela música anglo-saxónica, levando-os a escrever as suas canções em inglês, mesmo sem (muitas das vezes) dominarem na perfeição a língua de Shakespeare. Quando pensaram em "Street Kids", estavam convencidos que o termo significava que eram "jovens" e "urbanos" e só mais tarde repararam que queria dizer miúdos da rua, vadios.

Outro episódio singular refere-se à inclusão de 'Flash Gordon' (Emanuel Ramalho), como baterista, tal como podemos constatar no site "Música Portuguesa - Anos 80": "Os Corpo Diplomático ensaiavam no mesmo sítio e o grupo tinha problemas de baterista. Por isso convidaram Emanuel Ramalho que só aceitava colaborar com o grupo se fizessem música punk e se cortassem o cabelo. Ainda fizeram duas músicas "punk" mas passaram rapidamente para o new-wave".

Flash Gordon virá ainda a integrar, mais tarde, nomes como os Delfins e os Rádio Macau. Nuno Rebelo será o mentor de um dos projectos mais emblemáticos da segunda metade dos anos oitenta, os Mler Ife Dada. E Luís Ventura será ainda o vocalista dos Lobo Meigo. Estes dados antecipam o que a banda foi: inovadora e marcante.

Nuno Galopim é bastante assertivo na sua apreciação, porquanto os Street Kids serão uma referência para a segunda volta do rock português, já em período pós-boom. Ainda antes do referido LP, lançam dois singles, os quais têm algum airplay nas rádios, nomeadamente “Let me do it ”, que atinge o 1.º lugar do top do programa Rock em Stock. Quanto a “Trauma”, produzido por um (já então) ícone do rock português, Manuel Cardoso (vocalista dos Tantra), ficará, para além da qualidade musical, como atrás se disse, como um autêntico registo irreverente no conceito trazido por cada letra, manifestando preocupações que se têm revelado intemporais. Lembremos a critica ao consumismo (prática que, ainda assim, era, à data, tão incipiente em Portugal...) trazida por “Propaganda”, as questões ambientais de “Tókio, Ano 82” ou uma ironia mordaz ao conceito de progresso no tema com o mesmo nome. Como se pode aferir nos textos presentes no museu e em todas as análises ao “boom”, 1982 foi o ano do esvaziamento do balão e o LP de estreia dos Street Kids não ficou imune a tal, apesar do single extraído (“Tropa não”/”Propaganda”) ter tido algum sucesso.

É dessa forma que tentam, no ano seguinte, novo caminho com o regresso à língua inglesa, através do maxi-single “So far for so long”, sendo o tema que corporiza os dois lados do disco uma boa introdução às músicas e projectos da música portuguesa – trabalhando mais o risco e a experiência por oposição ao sucesso fácil – que surgirão nos anos seguintes. E a banda fica por aqui. Como se pode ler ainda no site Música Portuguesa Anos 80: “O grupo terminaria pouco tempo depois porque Luís Ventura vai para a Tropa, Nuno Rebelo estava a substituir Vítor Rua nos GNR e Emanuel Ramalho tinha começado a tocar com os Popeline Beige e Rádio Macau”.

______

Street Kids:

Eduardo Sobral:
viola eléctrica tratada

Nuno Canavarro:
pianos, órgão, strings, sintetizadores, voz

Nuno Rebelo:
viola baixo, coros, vocoder, 2.ª viola

Flash Gordon:
bateria, percussões acústicas e não acústicas

Luís Ventura:
voz principal, coros, viola eléctrica, strings

(alinhamento retirado de "Trauma")

_____

Tem cinco discos presentes no museu.

Propaganda
X